Eu me encontrava
por sete demônios prostrada
na rica Magdala,
à margem do Tiberíades,
por olhares e palavras apedrejada.
Entraste em minha cidade, Jesus,
Tua presença atormentou
e expulsou \"meus\" demônios
e em mim começou a habitar
Teu olhar de amor.
Como não seguir-Te?
Como não amar-Te?
Como, agora, não lançar
um olhar de esperança
sobre a humanidade ferida?
Só quem muito acolhe o amor
pode sentir-se muito amado
e pode muito amar.
Por isso o \"filho do trovão\"
se tornou o discípulo amado
e a \"pecadora\",
a mulher que muito amou.
Uni-me às mulheres curadas
que em gratidão Te seguiam
e Te serviam com seus bens.
Éramos o toque feminino
em meio aos homens
que Te acompanhavam.
Os trovões e os demônios
foram-se aos desertos,
agora me vigio
para de novo não ser invadida,
pois fariam coisas piores.
Vou além da caducidade
da letra e estruturas.
Aonde fores, estarei contigo,
na Via Sacra, aos pés da Cruz,
atenta Te contemplarei,
no sepultamento.
Depois que Teus olhos fecharam,
os meus continuaram abertos,
pois dentro de minh\'alma
os Teus estão a brilhar.
O zelo que José de Arimateia e Nicodemos
tiveram pelo Teu Corpo
tomou conta de mim.
Fui fazer vigília junto Dele
e O ungiria, se possível fosse.
Mas algo solene aconteceu:
Anjos e não guardas,
Jesus e não o jardineiro,
Maria e não \"Madalena\",
Rabbuni e não Rabi.
Agarrei-Te para não soltar,
mas aí nasceu uma urgência,
por ser a primeira testemunha
da Tua ressurreição,
a de ser apóstola dos apóstolos,
chamada a anunciar aos apóstolos
o que estes anunciariam ao mundo todo.
Madruguemos pelas vinhas,
pois a minha vinha,
a minha...
eu não a pude guardar.
Com Lázaro, Marta e Máximo,
de barco à França?
Para Éfeso com João e Maria?
O que não posso é ficar ociosa,
Te dando um beijo sem amor,
como fez Judas, o traidor.