Carlos Lucena

NO BANCO DOS ETERNOS

NO BANCO DOS ETERNOS

Eu queria apenas permanecer
Sentar na praça e ninguém ver.

Mesmo que o corpo seja um véu 
E que eu não sinta gosto nem desejo

Quero ficar
Que eu vá e que eu venha em brisa.
Não abrirei a boca
Poderei até escutar
Mas só ouvirão o meu silêncio.

Não que a camada inferior me assuste
E também não me perturba a carne escura.

Vou implorar para ficar no banco 
E me poupem da memória 
Quero a infinitude dos eternos sentado no banco
Mas sem os artifícios da história.