Eu não disse que te amava.
Tive medo de que a palavra,
tão pequena,
ferisse a delicadeza do instante.
Bastava te ver
e o meu coração já se enchia
de uma alegria,
dessas que florescem
sem pedir licença.
Mas o tempo,
que também ensina os afetos a desejar,
fez nascer em mim
a humana vontade
de te ter por inteiro.
Passei dias imaginando
a casa onde caberiam nossos silêncios,
o filho que traria nos olhos
a mistura do meu amor
com a ternura do teu.
Saía dos lugares
que distraíam meus pensamentos,
na esperança de encontrar teu passo
do lado de fora.
E toda despedida
era um grito calado,
porque deixar-te
sempre doía.
Também não te disse
que tua presença me fazia sentir segura,
mesmo quando eu era
a maior das minhas inseguranças.
Não contei
das lágrimas que nasciam
quando a saudade queria um abraço
e a distância respondia
com o silêncio.
Escrevi poemas,
e em nenhum deles
ousei dizer
que tu era
a musa escondida entre os versos.
Arranhei algumas canções no violão.
Cada acorde sabia teu nome,
cada melodia carregava
o amor que eu sentia.
Mas permaneci em silêncio,
como quem acredita
que certos sentimentos
sobrevivem melhor
quando são segredos.
Houve tantas coisas
que nunca te disse...
Porém percebi
o perfume novo,
o corte no cabelo,
o brilho diferente do teu sorriso.
Ficou no abraço apertado
tudo aquilo que a voz não alcançou.
Ficou no beijo
que quase tocou a tua boca,
mas que tantas vezes
viveu inteiro
Nos meus sonhos.
Ainda não sei
o que basta para o amor.
Sei apenas
que continuo caminhando
com uma esperança serena:
a de que,
em algum outro tempo,
quando o medo já não morar em nós,
nossos caminhos voltem a se cruzar.
E, então,
Amor não precisa mais
ser apenas
o mais bonito
dos silêncios.
Seja eu você e o futuro presente