Acolhi na minha vida um lobo,
que muito me ensinou.
Não era bom nem mau;
O defeito é que nunca me amou.
Sempre foi muito discreto e inteligente;
Acobardava-se perante os olhares de muita gente.
Mas no irromper da noite e da penumbra,
soltava o leão dormente.
Este lobo sempre foi solitário;
Nunca se passou por bobo nem por otário.
Sempre planeou a sua missão com cautela,
contando que ele nunca me incluiu nela.
Aprecio cada experiência vivida;
Foi a sua sabedoria que me colocou no trajeto;
Mas a sua natureza não tardou a manifestar,
fê-lo desviar para um caminho menos correto.
Não o julgo nas suas imperfeições;
Ele era um lobo que se vestia de cordeiro.
Foi no culminar das suas pretensões,
que pude discernir o que me era verdadeiro.
Por instantes fui feliz ao seu lado,
A sua toca me proporcionou uma zona de conforto.
Mas a inquietação me torturava o espírito,
persuadindo-me a largar o que já estava morto.
Decidi avançar sem o lobo na corrida;
E fazer da distância uma amizade devida.
Só espero que a ambição e a ganância,
não o façam cair no mundo da irrelevância.