May Darlin

A equilibrista.

Mais uma vez me pego olhando para esse espaço em branco, buscando em meio a mil clichês alguma forma de te convencer a me deixar ficar. As ideias estão descompassadas, embaralhadas, flutuando na minha mente entre um espasmo emocional e outro. E eu, em vão, tento encontrar palavras que te mostrem que existem coisas das quais você precisa, urgentemente, se desprender.

Sinto-me como uma equilibrista, parada sobre o fio de uma navalha, tentando me manter firme entre o teu passado e o meu futuro.

Mas como? Como me manter firme se meus pés, já feridos, não sustentam o equilíbrio que eu preciso? Como me manter sã, se você tira de mim todo o juízo? Como me manter distante, se cada centímetro do meu corpo te chama? Como me manter inteira, se você é a minha própria tormenta?

Nunca fui exemplo de equilíbrio. Em mim, tudo sempre foi mais intenso do que deveria. Eu me entrego mais do que posso, sinto com tudo o que tenho — e, sinceramente, não consigo, nem quero, ser diferente.

Estava tudo em calmaria. O barco seguia seu rumo, sem grandes tempestades. Até que, de repente, você chegou como um furacão. E o mais curioso é que você nem tentou me bagunçar assim, por inteiro. Mas conseguiu. Sem esforço, mudou o curso de tudo. Trouxe uma maré de sentimentos à tona, fez os ventos soprarem com força suficiente para derrubar todos os muros que eu havia construído como forma de defesa.

E agora? Como eu fico?

Estou aqui, inexplicavelmente apaixonada pela sequência de erros de alguém. Completamente entregue, anestesiada. E você… o que vai fazer com isso? Vai me mandar embora outra vez? Vai deixar o medo assumir o controle de novo? Vai permitir que os erros do seu passado roubem o presente — e talvez o futuro? Ou vai fingir que nada disso está acontecendo?

Eu não sei. Não sei até que ponto consigo lutar por dois. Não sei até onde vão as minhas forças.

Enquanto isso, eu fico. E fico porque quero. Fico porque acredito que podemos ser melhores. Porque sinto que existe uma razão para tudo isso — ainda que eu não saiba qual.

Mas essa é a última vez que digo tudo isso.

Como eu mesma disse, não sei até onde minhas forças vão… e, sinceramente, não quero pagar para ver. Porque o maior erro de alguém é insistir em reticências onde já deveria existir um ponto final.