bruna tavares

Amar: Uma maldição ou bênção?

Dizem que amar é uma bênção, que amar é simples e luz,
Mas ninguém te fala do contrato escondido que o amor traduz.
Amar é assinar no escuro, com uma qualquer operadora,
Onde dás por ti com uma linha oculta, de forma avassaladora. 
 
Amar é deitar a cabeça na almofada, quase a adormecer,
E o eco do mundo sussurrar-te que um dia todos vais perder.
É a mente que te rouba o chão e te faz duvidar:
Se o fim de todos é a partida, para que serve afinal o laço de amar?
 
Amar é o sacrifício invisível que ninguém na rua vê,
É ouvir o choro de quem amas sem saber o como ou o porquê.
É ver a mente de uma avó fugir, ir atrás dela na rua e resgatar,
É ver o avô perder o norte e seres tu o teto que não deixa o teto desabar.
 
Amar é saber que tens razão numa discussão sem rumo ou fim,
Mas ver o outro tremer de nervos e escolheres travar o teu \"sim\".
É dizer \"já passou, acabou\", engolir o orgulho e o cansaço que sentes,
Para que o silêncio da paz cure os corações que andavam ausentes.
 
E amar, do que eu sei que é amar, vale a pena por este segundo:
Quando paras a briga, olhas para ela e esqueces o resto do mundo.
Vês os olhos dela ganharem brilho, a criarem vida, a humedecer,
Reconheces ali a pessoa de sempre, que por instantes se deixou perder.
 
Por isso eu pergunto ao silêncio que a noite escura me traz,
Enquanto cuido, enquanto luto, enquanto tento viver em paz:
Se o amor nos deixa sozinhos no fim de todas as eras...
É ele a nossa maior maldição, ou a bênção que nos salva das feras?