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IRMÃ MAIS VELHA

Carregou os passos antes de aprender a andar,

Fez de si mesma escudo, teto e firmeza.

Aprendeu bem cedo a calar e cuidar,

Guardando a dor embaixo da mesa.

 

Ficou com as culpas que nunca foram suas,

Com as dores dos erros que não cometeu.

E ao fim das contas, foi posta nas ruas,

Da própria casa que tanto defendeu.

 

Agora a chave do portão é só sua,

A mesa, as louças, a paz que conquistou.

A casa é limpa, a luz vem da rua,

Ninguém culpa a dor que o tempo deixou.

 

Construiu o teto com o próprio suor,

Tem o seu espaço, o seu próprio chão.

Mas na calma do quarto, no tom menor,

Sente a falta antiga de uma atenção.

 

Não é saudade do chão de onde saiu,

Mas do abraço sincero que nunca existiu.

Do colo quentinho que nunca teve,

Que tornaria essa caminhada mais leve.

 

Ela tem tudo o que ergueu com a mão,

É livre, é forte, seguiu a razão.

E aprende, aos poucos, no seu próprio ninho,

A dar a si mesma esse amparo e carinho.