Ymaira Von

DAS CINZAS DE UM CIGARRO

Um cigarro entre meus dedos,
a brasa aquecendo
o inverno no meu peito.

Em cada tragada,
teu nome se mistura
à fumaça que
se espalha pelo quarto.

Ainda ouço tua voz de longe,
ausência presente
que se recusa a me deixar.

Tua pele na minha,
beijos ardentes,
os lençóis revirados,
meu nome em teus lábios,
suspiros sussurrados.

Fomos um breve instante,
que parecia durar para sempre,
mas que se desfez tão repentinamente.

E, no fim,
restou as cinzas,
vestígios do que fomos
e do que nos tornamos.