Gino, Sinvaldo de Souza

Poema: Crespúsculo da Vida

Poema: Crespúsculo da Vida

O crespúsculo da vida não é fim  
É a hora em que o sol se despede mansinho  
E pinta o céu da gente de dourado e anil  
Com memórias que brilham feito rastro de ninho.

É quando as rugas viram mapa  
De cada estrada que os pés já pisaram  
Cada linha conta uma risada  
Cada cabelo branco, um inverno que passou.

Não tem pressa nesse horário.  
O relógio desacelera, o coração sossega.  
A casa fica cheia de cheiro de café  
E a cadeira na varanda vira trono de realeza.

O crespúsculo da vida é colheita.  
É ver neto correndo no quintal  
É abraçar com mais tempo  
É perdoar com mais leveza  
É amar sem medo de se repetir.

Se o dia fez barulho  
A noite chega em silêncio, de mãos dadas.  
E mesmo quando a luz for embora  
Fica a brasa quente dentro do peito  
Aquecendo quem vem depois.

Porque o crespúsculo não apaga o dia.  
Ele só transforma a luz  
Em história.