a noite fica mais fria com o passar dos dias
as horas ficam por mais tempo
me recuso a descansar
temo que não amanheça
preciso ver com meus próprios olhos
se os seus já não me olham como antes
como pode tu abrir esse buraco em meu peito?
já não me importam seus pretextos
você me feriu sem anseio
me assassinou como sujeito
e, olhando em meus olhos, disse não ser o mesmo
duvidei da minha própria voz
quem seria eu depois de você?
quem seria eu?
recolhi os cacos meus
me despeço com as mãos sangrando —
o teu sangue.