Todos somos
fatiados pelo tempo
que passa por sobre nós
como uma faca em um pão amanhecido
Cada dia o dia leva
um pedaço de nós
a pressa
um sorriso
e o rosto de quem ontem fomos
Vejamos as mãos
tão alquebradas
tão puídas
a carregar o peso das horas
que nenhum de nós viu cair
Não peço de volta o que já se foi
apenas peço que aquilo
que ainda respira em mim
demore a esquecer seu próprio nome