Quando arremessei-me ao mundo embebecido da euforia e com certa mochila de traumas,
no imediato momento em que me vi, perdi-me no controle do que já não tinha,
entendi que o que se dá a vida são esperanças a outrem do que se pode ser ou sonhar,
já que no início de pensamentos em fraldas, se atém perdido o eu, e como estar perdido se ainda mescla em dúvidas o aonde se quer chegar?
Não sereis instrumento regido pelas manobras da sociedade, encurraladas em tiras de tecidos finos e mundanos,
retorcendo-se em suas faces quadradas repuxadas a endeusarem-se em ilusões de vitórias ignorantes
Sendo do apego ao nada o que liberta do infortúnio do querer veneno lento, donde habita a prisão elaborada pela sentença que a cada um se dá.
Quero que não seja desfeito aquele momento em que as mãos foram dadas e beijaram-se em um abraço longo,
laços desatados pelo medo dos possíveis niveis de conciencia a serem infringidos, sobre a vida que é verdade negada a muitos,
visto-me da loucura que permeia em meio à barra dos vestidos, nas bordas de muitos chapéus e nas calçadas de muitos passos.
Arthur de Mello Noos