Meu corpo e minha alma se tremem, doem de frio na madrugada em Teutônia. Não sei como vim parar aqui, mas estou jogado no asfalto em uma madrugada úmida e fria, sem roupas e encharcado de umidade. Quero gritar, porém sei que ninguém iria me ouvir; me encontro na parte mais afastada da cidade. No horizonte, vejo apenas vastos pontos de luzes distantes.
Olho para baixo e percebo uma pequena poça de sangue que se forma. Me toco até sentir uma ferida exposta em minha testa. Bati a cabeça neste asfalto de chão, em uma pedra, enquanto caía. Já aceitei o quanto a vida se mostra estranha e confusa, por isso estou calmo. Somente aceito meu destino.
Em um breve momento, o ar denso começa a me impedir de respirar de forma adequada. Começo a ofegar radicalmente até me concentrar. Minha mente estava a um milhão por hora, meu corpo não parava de se tremer, e nem mesmo seu dono podia o impedir. Fico fraco, zonzo, com a visão turva e com as ideias embaralhadas.
Percebo um carro vindo. Grito, berro por ajuda, desesperado em busca de amor, de qualquer faísca de humanidade. O carro passa por dentro de mim. Me sinto quente por um segundo, mas estou fraco. Me deito no chão, me arrasto atrás do vulto do carro que nunca existiu. Fecho meus olhos, sinto o frio novamente. Antes que a racionalidade possa se tornar qualquer pensamento, morro de hipotermia...