Ao que eu peço, retorno da inocência da forma do olhar,
perdida em algum dos emaranhados dos percalços da vida.
Talvez em um canteiro de flores ainda não colhidas,
nutritas pelas inconformações de sussurros e resmungos.
Tempo em que as belezas eram pinturas,
Em todas as vezes em que momentos marcaram-se eternos.
Vago hoje sozinho em um mundo de mentiras.
Da pena saem apenas versos prolixos e efêmeros.
Quão belo é este mundo e esta existência,
de provas infindáveis e decepções.
Seria novamente um alívio o banho de chuva,
se não tivesse que vir sempre, acompanhado do retumbar dos trovões.
Arthur de Mello Noos