Vivemos no tempo em que tudo
precisa acontecer depressa.
Os dias parecem menores,
e a pressa passou a ser confundida com progresso.
Nunca foi tão fácil economizar tempo.
Nunca tivemos tantos recursos.
Mas, em meio a tanta velocidade,
esquecemos que algumas coisas
não aceitam atalhos.
Planta-se hoje.
Exige-se o fruto amanhã.
Começa-se um caminho
esperando já estar na chegada.
Abandonam-se sonhos
porque demoraram demais.
Desistem-se de pessoas
porque exigiram paciência.
Trocam-se processos
pela ilusão do imediato.
A natureza nunca teve pressa.
Ainda assim,
cada estação chega no momento certo.
A semente rompe a terra
quando está pronta.
O rio encontra o mar
sem correr além do necessário.
O problema nunca foi a falta de tempo.
O tempo continua o mesmo.
O que mudou
foi a nossa incapacidade
de respeitar o ritmo das coisas,
de compreender que crescer
também significa esperar.
Porque a vida não amadurece
na velocidade da ansiedade,
mas no compasso da constância.
E talvez o maior desperdício do nosso tempo
não seja esperar demais,
mas desistir cedo demais
daquilo que ainda estava aprendendo a florescer.