caiovazzoler

Motor e a âncora

Dentro de mim, há um motor em alta rotação,

Dez avenidas cruzando em um só segundo.

O TDAH é a pressa, a urgência, a erupção,

É querer abraçar a vastidão de todo o mundo.

A dopamina chama, a ideia quer nascer,

Tudo é urgente, tudo precisa ser agora,

Mas antes mesmo da vontade florescer,

O tempo foge e a mente se evapora.

E logo atrás, vem a sombra da ansiedade,

Um grito mudo que ecoa no peito apertado,

Cobrando contas, medindo a velocidade,

Julgando cada passo que não foi dado.

Ela acelera o ritmo, tensiona a mão,

Faz do pensamento um labirinto sem fim,

Onde cada erro vira uma condenação,

E o futuro é um monstro que habita em mim.

Então, o silêncio pesado da depressão chega,

Como uma âncora lançada no meio do mar.

O motor quer correr, mas a alma nega,

O corpo entende que precisa lutar, mas não consegue, mesmo sem se entregar.

O freio de mão puxado, a luz que se apaga,

A vontade que sobra, mas o braço não vai,

É uma luta interna que ninguém afaga,

Enquanto o sistema, exausto, enfim cai.

Não é preguiça, nem falta de querer,

É um curto-circuito, uma dança de opostos:

Ter o mundo inteiro para oferecer,

E o peso de mil mundos sobre os meus ombros.

Mas em meio a essa névoa, a esse caos febril,

Ainda resta a essência, o brilho, o valor,

De quem carrega um mundo inteiro, tão sutil,

Sob o peso enorme de ser um sobrevivente e sonhador.