Dentro de mim, há um motor em alta rotação,
Dez avenidas cruzando em um só segundo.
O TDAH é a pressa, a urgência, a erupção,
É querer abraçar a vastidão de todo o mundo.
A dopamina chama, a ideia quer nascer,
Tudo é urgente, tudo precisa ser agora,
Mas antes mesmo da vontade florescer,
O tempo foge e a mente se evapora.
E logo atrás, vem a sombra da ansiedade,
Um grito mudo que ecoa no peito apertado,
Cobrando contas, medindo a velocidade,
Julgando cada passo que não foi dado.
Ela acelera o ritmo, tensiona a mão,
Faz do pensamento um labirinto sem fim,
Onde cada erro vira uma condenação,
E o futuro é um monstro que habita em mim.
Então, o silêncio pesado da depressão chega,
Como uma âncora lançada no meio do mar.
O motor quer correr, mas a alma nega,
O corpo entende que precisa lutar, mas não consegue, mesmo sem se entregar.
O freio de mão puxado, a luz que se apaga,
A vontade que sobra, mas o braço não vai,
É uma luta interna que ninguém afaga,
Enquanto o sistema, exausto, enfim cai.
Não é preguiça, nem falta de querer,
É um curto-circuito, uma dança de opostos:
Ter o mundo inteiro para oferecer,
E o peso de mil mundos sobre os meus ombros.
Mas em meio a essa névoa, a esse caos febril,
Ainda resta a essência, o brilho, o valor,
De quem carrega um mundo inteiro, tão sutil,
Sob o peso enorme de ser um sobrevivente e sonhador.