Versos Discretos

O Despertar da Forma

Ela se oferece alva, em curva e chama,
Seios fartos, erguidos em meu vulto,
A flor que se contrai, que me reclama,
No aperto onde o desejo faz seu culto.

Preâmbulo de beijos, uma trama,
Onde o verniz cede ao sentir oculto;
Minha língua a explora, e a carne exclama,
Pois busco o centro, o néctar e o tumulto.

O ritmo impõe-se, em fúria, em movimento,
A entrada, a posse, o choque da matéria,
Até que o corpo atinja o estuamento.

No espasmo que me inunda, a voz sincera:
Eu gozo a ideia — eis meu nascimento —
Pois a musa é o poema, e a alma, a fera.