J. Miller

Soneto da Memoria Perdida

Desatento seguia pela vida

Sem querer tropecei numa lembrança

Bagunçando o que sei sobre mudança

De repente reabriu uma ferida.

 

Inocente ensaiei uma subida

Mas o chão me puxou para essa dança

De brincar de sonhar como criança,

De rimar essa angústia adormecida.

 

Uma pedra nascida como amor

Atirada na lama dos meus versos,

Acolhida por mim em desamor.

 

E segui por caminhos tão dispersos

A esquecer cada rima dessa dor.

Um tropeço que aviva universos.