Fábio Alves Leão

MEMÓRIAS DE UM MENINO TÍMIDO

Nos corredores do velho colégio,
Entre risos tímidos, olhares no chão,
Havia um menino, de sonhos guardados,
Que escrevia cartas com o coração.

 

Era um tempo de jeans e fitas cassete,
Dos anos noventa, de luz e esplendor,
Onde o primeiro amor, tão inocente,
Despertava em silêncio a força do amor.

 

Ela passava, cabelos ao vento,
Sorriso de sol iluminando a manhã;
E ele, calado, guardava por dentro
Uma doce lembrança, serena e sã.

 

As cartas, jamais entregues, escondiam
Palavras nascidas do fundo do ser;
Nas linhas tortas, os sonhos seguiam,
Sem nunca encontrar coragem de dizer.

 

O amor platônico, tão doce e distante,
Tinha o sabor de uma velha canção,
Que ecoa na alma de forma constante,
Feito um segredo guardado no coração.

 

Hoje, o menino, já homem, sorri;
Revê essas cartas com terna emoção.
Mesmo que o tempo apague os caminhos,
O primeiro amor nunca deixa o coração.