Eliete Souza

Liberta

Abri mão dos filtros para que eu pudesse encontrar meu reflexo nu.

Detalhes e linhas à mostra me levam de volta a lugares por onde passei em silêncio, despercebida, encolhida para não incomodar os olhos daqueles que me definiram através do olhar lançado sobre a árvore que me tornou fruto.

Eu me enxerguei.
Eu me descobri.
Encontrei um lugar confortável para existir.

Ao contemplar um reflexo livre dos ideais de perfeição, amei-me, enfim.
Com permissão.
Com o coração.
Com aceitação.

Tornei-me a mais bela versão de mim mesma.

E o que os olhos trouxeram?

A profundidade de existir e a razão pela qual hoje estou aqui.