Vida… Vida, como és dor…
Como és sofrimento, agonia e buraco negro então.
Dizem sábios que o escuro é apenas a ausência de luz.
Porém, como luz pode haver num mundo que só pretidão tem.
“Aparenta” que termo carinhoso…
Aparenta que é bom. Aparenta que é feliz.
É sempre um “quase”…
Quase fui a melhor. Quase consegui.
Quase… a vida foi quase ser feliz.
São incessantes estados de “quase” sempre algo, mas nunca alguma coisa!
Digo eu… ser insignificante, pequenino… Porém, com as lágrimas ordenhadas. (Como? … Já incontáveis são… )
Há tantos anos que ordenho e engarrafo-as e ponho rótulos…
Nunca lhes perdi a conta até ao agora.
Chorosas. Que Madalenas são… Lamuriam“ já estava morta, mesmo quando viva estava”
“Porquê?”- pergunta a criança que se deixa descansar no meu ombro…
À minha beira…
Crescerás e com certeza também dirás:
”Percebo… percebo como um todo completo.”
E com a dúvida que me questionaste a mim retornarás
Dizendo com tom de pranto:
“ A vida é tão triste que até a própria a nega.
Só lhe sai voz dolorida que não quer ser mais a vida que é na morte que a dor não vai”
Aurora Hortense