Antonio Luiz

Segredos oxidados que não contam

houve tempo em que portas confiavam

e se abriam ao ouvir o nome de pessoas

ou com o cheiro de pão que vinha da rua

depois os medos aprenderam os metais

e se puseram em abandono as taramelas

 

quando só se sabia a arte da carpintaria

havia muito mais corações dependurados

agora, distante de seus gélidos buracos

penduram-se chaves, sujas de ferrugem

guardando segredos que já nem contam

 

eu que sou mais acumulador do que santo

carrego um molho desses despropósitos

e quando muito tilintam no bolso da calça

umas contra outras barulhos de saudade

 

– esse poema foi publicado em meu blog pessoal (https://antoniobocadelama.blogspot.com/) em 16/07/25 –