Célia Amaral

O altar dos que amei

Hoje, treze de julho de 2026,

Retorna a pior versão de mim.

Aquela que estava trancada

Em um coração ferido,

Com portas amarradas e trançadas em sangue.

A dor da vida ou a dor da morte?

É insuportável...

Insuportavelmente deliciosa.

O gosto do sangue,

As lágrimas que corriam,

O lamentável fim.

A sensação de poder que o novo ser, ao retornar,

Encontra de forma esplendorosa.

Eis que em mim só pode residir um.

E quando residia o lado ruim, eu vencia e causava dor.

Pobre de mim, que achei que ser bom seria a salvação

De algo que nunca existiu.

Isso me aprisionou.

E agora, esse lado bom foi morto

Por aqueles que tanto amou e zelou...

Eu sinto o sabor de tanta dor,

Do sangue, das lágrimas.

Obrigada a vós que me libertaram.