CMota

Vislumbres da Noite

Silêncio e escuridão

É o que se vê de início 

Não há qualquer indício

De vida na negra vastidão

 

Um tropeço, uma queda

Sombras se apinham ao redor

A treva cada vez maior

Fiapos do dia sua trama enreda

 

Nas sombras, vislumbres de olhos

As sombras se mesclam e fogem, fugazes

Tal qual um bando de feras vorazes

Dispostas a lutar por seus espólios

 

Esperai um momento, vede lá fora

Não estais afogado nas trevas

Pois já se sente o perfume das ervas

E o tempo não é sombrio como outrora

 

Olhai com atenção, vede agora

As gemas cintilantes incrustadas no céu

Infindáveis, incontáveis no negro véu

Que rege as horas sombrias que precedem a aurora

 

Ouvi, escutai com atenção 

O ruído rasteiro da brisa na folhagem

A Mãe Lua embala no colo a paisagem

E as cigarras lhe dedicam sua doce canção

 

A luz já invade as bordas do mundo

As sombras se esvaem por ora

É chegado o momento de ir embora

Saudar o Pai Sol e o dia oriundo!