G. Mirabeau

HOMEM DE AÇO

O homem de aço tremeu.

Seu peito de ferro cedeu.

O invencível ajoelhou-se.

Seu coração de pedra

- Esfacelou-se!

Seus olhos secos choraram...

O inexpugnável sofreu

E seus corações enfim amaram!

A sofrimentos se dobraram,

A sentimentos soçobraram...

Após eterna pausa.

 

 

A mais verdadeira das mentiras,

O mais pequeno momento,

O mais patético lamento

Revivido de trevas abissais,

Resolvido de transes animais

No mais reptiliano de meus complexos,

No mais desprezível entre meus sexos,

Regurgitante e fétido,

Nauseante intrépido

A repicar tonitruante

Ressoando esta morte,

Replicando este instante,

Retinindo na coorte

Desta louca e delirante,

Desta mal suspeita sorte...

Vai rompendo este grilhão,

Sufocando a legião

Que desalma o sentimento,

Que nos torna bolorentos,

Pútridos e aziagos...

- Apodrecem-nos seus afagos!

 

O homem de aço amou.

Seu peito de ferro sofreu.

O invencível chorou...

Seu coração de pedra cedeu.

Seus olhos tremeram

E seus corações enfim...

- Ajoelharam-se!