Guacimar Vieira de Mello Noos

Vastidão

Precisaria ter mais ímpeto para perseguir meus sonhos onde, acreditando tê-los perdido, sacrifiquei-os para ter um fracasso de paz na ladeira atual da  minha vida.
Na solidão, aprendo a alimentar-me do que deveria compartilhar e, estando cada vez mais povoado de mim mesmo, percebo que no mar de conhecimento que contemplo assustado, é possível jogar-me entregue e pintar nele as realidades nas quais desejo acreditar.
No cantar das aves ao fundo, ditam-se sabedorias antigas, as quais são postas à noite no tronco do carvalho tombado sob a luz da lua, para que se possa debater o fim incompreensível com o início que achava ter entendido, já que, quando não conseguimos findar o fim, o início continua a modificar-se ou a ressurgir.

 

Arthur de Mello Noos