Precisaria ter tido mais ímpeto para perseguir meus sonhos já que acreditando tê-los perdido, sacrifiquei-os ainda pequenos para ter um fracasso de paz na ladeira atual.
Na solidão, aprendi a alimentar-me do que deveria compartilhar e, estando cada vez mais povoado de mim mesmo, percebo que no mar de conhecimento que contemplo assustado, é possível jogar-me entregue e pintar nele as realidades nas quais desejo acreditar.
No cantar das aves ao fundo, ditam-se sabedorias antigas as quais são postas à noite no tronco do carvalho tombado, e sob a luz da lua, eu posso debater o fim incompreensível com o início que achava ter entendido, já que quando não conseguimos findar o fim, o início continua a modificar-se ou a ressurgir eternamente.
Arthur de Mello Noos