O dia nasceu
seguindo a direção natural.
Acordei cansado,
sob os lençóis
que a cama nunca esquentou.
A leve chuva
bate na janela;
meus olhos
vão seguindo
a direção da brisa.
Aquela aragem
anuncia a passagem
da manhã.
Abro a fresta,
deixando entrar
a corrente fria
da manhã.
Os pingos fogem
de minhas mãos,
como areia do mar
que desliza sob os dedos.
Dia após dia,
confronto a mente,
provoco a carne,
resisto aos desejos.
Entre estações,
o fardo persiste
da cabeça aos pés.
Entrego à cama
o meu corpo,
cedendo ao cansaço.