Cauã Reymond

Outro dia

O dia nasceu

seguindo a direção natural.

 

Acordei cansado,

sob os lençóis

que a cama nunca esquentou.

 

A leve chuva

bate na janela;

meus olhos

vão seguindo

a direção da brisa.

 

Aquela aragem

anuncia a passagem

da manhã.

 

Abro a fresta,

deixando entrar

a corrente fria

da manhã.

 

Os pingos fogem

de minhas mãos,

como areia do mar

que desliza sob os dedos.

 

Dia após dia,

confronto a mente,

provoco a carne,

resisto aos desejos.

 

Entre estações,

o fardo persiste

da cabeça aos pés.

 

Entrego à cama

o meu corpo,

cedendo ao cansaço.