Estávamos lado a lado, tão próximos, tão distantes,
Como ilhas que se veem, mas nunca se tocam adiante.
Falávamos em murmúrios, palavras sem calor,
Um eco vazio no abismo do nosso amor.
Seus olhos, antes porto onde ancorava meu ser,
Agora um mar que se fecha, difícil de ler.
E eu, naufrago em pensamentos, tentando entender,
Como ficamos tão longe sem sequer perceber.
Os dias nos juntavam, a rotina nos colava,
Mas cada momento junto mais nos afastava.
Era um adeus velado, um partir sem caminhar,
Dois corpos tão unidos que não sabem mais se amar.
Onde foi que nos perdemos, que passo falhou?
Será que foi o silêncio que tudo calou?
Ou foram as palavras que nunca dissemos,
Guardadas no peito, onde nos esquecemos?
Hoje sinto sua ausência na proximidade cruel,
Uma saudade estranha, um gosto de fel.
E mesmo ao seu lado, tão perto, tão meu,
Eu percebo que o \"nós\" há tempos morreu.
Talvez reste um fio, uma faísca no escuro,
Uma chance de reerguer o que agora é tão duro.
Mas se não houver mais ponte entre o eu e o você,
Que ao menos o adeus nos ajude a viver.