mergulhar no mar sempre me causou aflição.
o sal invadia-me as narinas com violência,
e as ondas chocavam-se contra meu corpo
machucando-me a pele.
quando avistei o rio,
vi, junto a ele, o medo.
temi as pedras escondidas sob a corrente,
a areia movendo-se entre meus dedos,
o fundo cedendo lentamente
sob o peso do meu corpo.
temi descobrir que toda água,
a qualquer momento,
tentaria me invadir os pulmões.
quando me dei por mim,
a água gelada já me tocava os pés.
o rio nunca deixou de ser profundo.
mas, apenas por um milésimo de segundo,
como quem pula no abismo de olhos fechados,
acreditei na possibilidade do raso.