Nascemos semente, silêncio e espera,
sem mapa, sem rumo, sem direção;
a vida é um rio que nos leva adiante,
ensinando em cada estação.
Vestimos verdades como quem veste o vento,
achando que o céu cabe na mão;
mas o tempo, jardineiro invisível,
faz brotar dúvida em cada chão.
Somos viajantes de uma estrada infinita,
colecionando rastros pelo caminho;
quanto mais distante parece a chegada,
mais descobrimos o quanto é sozinho.
E quando a tarde da vida se inclina,
percebemos, enfim, com serenidade:
não morre quem deixa perguntas abertas,
morre apenas a falsa certeza da verdade.
Porque viver é remar nesse oceano
onde nenhum porto encerra o saber;
nascemos sem nada, partimos sem tudo,
e aprendemos... apenas a aprender.