Fábio Alves Leão

APENAS EXISTIR

Sou um sopro que vaga no tempo,

uma chama que dança ao vento,

não sou começo nem fim,

apenas um eco dentro de mim.

 

Não busco o norte, nem o sul,

sou estrela sem céu azul,

sou presença que não quer provar,

só ser onda que vem e vai no mar.

 

Não há pressa em meu pulsar,

sou silêncio a se espalhar,

sem forma, sem nome, sem missão,

apenas sou, sem explicação.

 

No existir encontro abrigo,

não sou sombra, nem sou grito.

Sou o instante que passa e fica,

sou o vazio que a vida indica.

 

E se me perguntarem por que,

não há resposta para se ver,

pois ser é tanto, é tudo, é nada,

é só a dança da alma calada.