Dei asas a minha voz
sem voar soou um tom feroz
pássaros abandonam os ninhos pasmados
tanto prazer junto e único suei os dedos
voz essa que viaja pelos ares
procurando sentidos perdidos
silencio me retribui vindo dos mares
sopra uma brisa salgada sob pés molhados
procuro respostas sem apostas
vento frio e quente perturba vigorosamente
tudo se torna particular e mais penetrante
angustia me consome lentamente
lindamente me estendo na área quente branca
procuro o reverso do inverso e ser prudente
dei asas a minha voz, emprestando
um som e sem voar e sem ouvir ela se foi
sem retorno, acordo, durmo desesperado
Imagno Velar