Raiva
Eu sou o fogo que queima o peito e exige o grito!
Rasgo o silêncio, quebro as correntes do que é maldito,
Não aceito a mordaça, desabo em tempestade pura,
Pois a injustiça do mundo é a minha eterna tortura.
Medo
Sinto o eco do teu estrondo e tremo na escuridão...
Recuo um passo, tranco a porta, seguro a respiração,
Pois o abismo espreita atrás de cada esquina escura,
E o amanhã é um monstro que devora a criatura.
Angústia
Mas o monstro já habita em mim, neste nó na garganta...
Um vazio pesado, uma dor no peito que nunca abranda,
Onde o tempo arrasta os dias numa névoa cinzenta,
E a alma suspira por um ar que já não alimenta.
Paixão
Clemência! Deixem que a minha febre incendeie a dor!
Eu pulso nas veias, sou a entrega, o risco, o clamor!
Se o medo paralisa e a angústia quer o chão friorento,
Eu lanço a vida ao vento, num eterno e voraz movimento!
Alegria
E do caos de vocês, eu nasço livre, feito um girassol!
Abro as janelas da alma e banho o rastro com o sol,
Pois a vida só é inteira quando tudo em nós se abraça,
E a tempestade dá lugar à luz que o peito transpassa!