FELÍCITY_POETA

QUATRO VOZES, UM SILÊNCIO

Raiva

Eu sou o fogo que queima o peito e exige o grito!

Rasgo o silêncio, quebro as correntes do que é maldito,

Não aceito a mordaça, desabo em tempestade pura,

Pois a injustiça do mundo é a minha eterna tortura.

Medo

Sinto o eco do teu estrondo e tremo na escuridão...

Recuo um passo, tranco a porta, seguro a respiração,

Pois o abismo espreita atrás de cada esquina escura,

E o amanhã é um monstro que devora a criatura.

Angústia

Mas o monstro já habita em mim, neste nó na garganta...

Um vazio pesado, uma dor no peito que nunca abranda,

Onde o tempo arrasta os dias numa névoa cinzenta,

E a alma suspira por um ar que já não alimenta.

Paixão

Clemência! Deixem que a minha febre incendeie a dor!

Eu pulso nas veias, sou a entrega, o risco, o clamor!

Se o medo paralisa e a angústia quer o chão friorento,

Eu lanço a vida ao vento, num eterno e voraz movimento!

Alegria

E do caos de vocês, eu nasço livre, feito um girassol!

Abro as janelas da alma e banho o rastro com o sol,

Pois a vida só é inteira quando tudo em nós se abraça,

E a tempestade dá lugar à luz que o peito transpassa!