Francisco Claudio Claudio Gia

POEMA: RITMO E RAÍZ

POEMA: RITMO E RAÍZ
Autor: Claudio Gia
Macau, RN – 12 de julho de 2026

No mesmo dia, o sol se parte em dois:
de um lado, o tambor que incendeia o asfalto;
do outro, a copa que abraça o silêncio
e mede o sopro do mundo em seus galhos.

O funk não é barulho — é mapa.
É geografia do corpo que desaba
e se reergue na quebrada,
onde o baile pesa como um verbo primevo.
Cada batida é um tronco que cresce
entre concreto e poesia,
raiz que não pede licença
para ocupar o chão da história.

Já o engenheiro anda por dentro das folhas,
conta anéis como se fossem séculos,
equilibra o corte e a espera,
sabe que a floresta não se curva ao homem
— mas lhe ensina o compasso da pausa.
Seu cálculo é ternura armada,
sua régua mede o que ainda respira.

E assim, sob o mesmo 12 de julho,
o ritmo e a raiz se encontram:
ambos são resistência,
ambos são memória que dança,
ambos sabem que o chão
— seja de laje ou de terra —
só floresce quando a alma
aprende a bater no tempo certo
e a crescer sem derrubar o vizinho.

Que o funk seja floresta sonora.
Que a floresta seja funk verde.
E que todo engenheiro do som
e todo engenheiro do verde
saibam: preservar é também celebrar.

Dedicado aos que fazem do pulsar e do plantar um mesmo ofício.