Fábio Alves Leão

SAUDADES DA VIDA

No silêncio da noite fria e calma,
O sono fugiu, castigo, vazia alma,
Busco em versos, no branco papel,
Traduzir esse amor verdadeiro e fiel.

 

Mas as palavras se perdem no ar,
Nem mesmo a dor consegue falar,
Na penumbra do quarto, meu abrigo,
A solidão faz morada comigo.

 

As paredes parecem também lamentar,
Guardando o eco do que não vai voltar,
E eu te sinto tão longe de mim,
Mesmo vivendo em mim, sem ter fim.

 

Dominas meus sonhos, meu pensar,
És presença que insiste em ficar,
Abro a janela na doce ilusão,
De encontrar-te em meio à imensidão.

 

Mas só as estrelas e o frio luar
Parecem meu pranto escutar,
Compreendem a dor que insiste em crescer,
E esse vazio que não sei conter.

 

Dilacera o peito, rasga o coração,
Como um grito preso na escuridão,
E volto ao papel, vazio e sem cor,
Reflexo exato do meu interior.

 

Então surge, sozinha, sem vaidade,
Uma única palavra: saudade.
Saudade do tempo em que fui feliz,
Saudade de tudo o que a vida me quis.

 

Saudade do toque, do teu calor,
Saudade de nós, do nosso amor,
Saudade, enfim, sem despedida,
Saudade profunda, saudade da vida.