O homem veste a própria sombra de virtude,
e aponta o dedo para a escuridão alheia.
Condena o pecado que vê nos outros,
enquanto abraça, em silêncio, o que carrega.
Não busca a verdade, mas o conforto
de acreditar que é menos cruel.
Pois é mais fácil criar monstros no próximo
do que encarar o seu próprio reflexo .
E assim segue a humanidade
erguendo tribunais para esconder espelhos,
fazendo do outro o maior dos culpados,
para nunca admitir a culpa que habita em si.