Freddie Seixas

Bancos Vazios

Há um tempo em que a gente deixa de procurar barulho.
As músicas continuam tocando, as mesas continuam cheias, os risos continuam altos... mas alguma coisa dentro de nós prefere o silêncio.
É nesse dia que você entende aquele senhor sentado sozinho na praça, o rapaz olhando o movimento sem olhar ninguém, a mulher alimentando os pombos como quem conversa com fantasmas.
Eles não estavam esperando alguém.
Estavam tentando encontrar a si mesmos.
Porque há dores que não cabem numa conversa, há saudades que não aceitam consolo, e há cansaços que nem o sono consegue curar.
Sentar sozinho nunca foi sobre solidão.
É sobre dar descanso a um coração que passou tempo demais fingindo estar bem.
E, de repente, você percebe que também virou esse homem.
O que observa as luzes da cidade como quem procura nelas um motivo para continuar.
Porque quem já travou guerras dentro da própria mente aprende que, às vezes, o lugar mais cheio do mundo é justamente aquele banco vazio onde ninguém exige sorrisos.
Ali, pela primeira vez em muito tempo, você não precisa ser forte.
Você só precisa existir.

Por Freddie Seixas