Olho para a Lua, ali parada:
cheia, distante, iluminada.
Eu aqui, flutuando, imaginando,
e a Lua lá parada, e a Terra girando.
E isso realmente é um engano,
já que a Lua também rodopia.
Elegante, nos acompanha face a face,
dança com a Terra em pura sincronia.
Parceira solidária,
rege, vela, influencia
as marés, os ciclos e as naturezas
de quem a Terra habita.
Silenciosa, misteriosa, oculta,
amante solar,
em noite escura
reflete-o e nos ilumina.
Não resisto a seu encanto:
pego o telescópio antigo de papai,
limpo e ajusto as lentes;
preparo o café, sinto os perfumes.
Caderno, caneta, caneca,
esqueço-me dos ponteiros.
Estou aqui presente por inteiro,
pois é noite enluarada.
Vejo daqui tudo o que a marcou.
Oh, minha querida protetora,
de quantos infortúnios
já não nos livrou?
De todos os mistérios
a nós velados, tu, irmã Lua,
é um dos sinais mais claros
de que somos amados.