Francisco Queiroz

Noite Enluarada

Olho para a Lua, ali parada:  
cheia, distante, iluminada.  
Eu aqui, flutuando, imaginando,  
e a Lua lá parada, e a Terra girando.  

 

E isso realmente é um engano,  
já que a Lua também rodopia.  
Elegante, nos acompanha face a face,  
dança com a Terra em pura sincronia.

 

Parceira solidária,  
rege, vela, influencia  
as marés, os ciclos e as naturezas  
de quem a Terra habita.  

 

Silenciosa, misteriosa, oculta,  
amante solar,  
em noite escura  
reflete-o e nos ilumina.  

 

Não resisto a seu encanto:  
pego o telescópio antigo de papai,  
limpo e ajusto as lentes;  
preparo o café, sinto os perfumes.  

 

Caderno, caneta, caneca,  
esqueço-me dos ponteiros.  
Estou aqui presente por inteiro,  
pois é noite enluarada.  

 

Vejo daqui tudo o que a marcou.  
Oh, minha querida protetora,  
de quantos infortúnios  
já não nos livrou?  

 

De todos os mistérios  
a nós velados, tu, irmã Lua,  
é um dos sinais mais claros  
de que somos amados.