Gino, Sinvaldo de Souza

A Dimensão da Zona Umbral

A Dimensão da Zona Umbral

Não é céu, não é inferno,  
é o meio do caminho.  
Névoa densa, ar pesado,  
eco de choro baixinho.  

Aqui mora a dor que insiste,  
o arrependimento sem fim.  
Pensamentos viram corrente,  
e a alma se prende em si.  

Não há fogo, há esquecimento.  
Não há grito, há silêncio.  
Cada um carrega o peso  
do que negou em consciência.  

Mas nem tudo é noite eterna,  
há portas entreabertas.  
Mãos amigas trabalham,  
acendem velas discretas.  

Porque a zona umbral ensina:  
o que a gente planta, colhe.  
E quando a luz se decide,  
até a sombra se dissolve.