Sob o peso desses céus cinzentos,
Que a melancolia tece em meu olhar,
Mergulho fundo nos meus sentimentos,
Onde, enfim, te torno a encontrar.
?É no labirinto do que sou — ou que resta —
Que escuto o eco da tua voz a soar,
Tua ausência é a sombra que me detesta,
Teu nome, o grito que insisto em clamar.
?Sinto o vazio, como mar que me arrasta,
Correntes de ferro, o peso da solidão,
A imensidão da falta, que nunca basta,
E me puxa ao fundo da própria escuridão.
?Mas quando outubro, em sonho, te desenha,
E o teu fantasma me vem resgatar,
A esperança, essa chama que me estranha,
Me faz, por um instante, enfim respirar.
?Estou aqui, submersa na espera,
Entre o sufoco e o brilho do que foi,
À mercê do tempo, desta triste esfera,
Guardando a vida que a tua falta rói.