izadorahoffmannliska

Ressurgir em Outubro.

Sob o peso desses céus cinzentos,

Que a melancolia tece em meu olhar,

Mergulho fundo nos meus sentimentos,

Onde, enfim, te torno a encontrar.

?É no labirinto do que sou — ou que resta —

Que escuto o eco da tua voz a soar,

Tua ausência é a sombra que me detesta,

Teu nome, o grito que insisto em clamar.

?Sinto o vazio, como mar que me arrasta,

Correntes de ferro, o peso da solidão,

A imensidão da falta, que nunca basta,

E me puxa ao fundo da própria escuridão.

?Mas quando outubro, em sonho, te desenha,

E o teu fantasma me vem resgatar,

A esperança, essa chama que me estranha,

Me faz, por um instante, enfim respirar.

?Estou aqui, submersa na espera,

Entre o sufoco e o brilho do que foi,

À mercê do tempo, desta triste esfera,

Guardando a vida que a tua falta rói.