Noah Ferreira

monstrinho

teu nome, até hoje,

arranha-me a garganta ao sair.

como se um pequeno monstro

escalasse dentro de mim,

 

de garras miúdas,

rasga-me até o topo da boca,

arranha-me a língua.

 

o pequeno monstro

me roubou a sétima letra do alfabeto.

 

agora, mora entre meus dentes

e alimenta-se do que quase digo.

 

às vezes, acordo com 

a boca repleta de pegadas.

o pequeno monstro 

também não consegue dormir.

 

pendura-se na minha orelha,

bate palmas ao pé do ouvido,

diz que tenta alcançar

o som da praia.

 

antes de sair, verifico

as chaves,

a carteira

e o pequeno monstro

no bolso esquerdo.