teu nome, até hoje,
arranha-me a garganta ao sair.
como se um pequeno monstro
escalasse dentro de mim,
de garras miúdas,
rasga-me até o topo da boca,
arranha-me a língua.
o pequeno monstro
me roubou a sétima letra do alfabeto.
agora, mora entre meus dentes
e alimenta-se do que quase digo.
às vezes, acordo com
a boca repleta de pegadas.
o pequeno monstro
também não consegue dormir.
pendura-se na minha orelha,
bate palmas ao pé do ouvido,
diz que tenta alcançar
o som da praia.
antes de sair, verifico
as chaves,
a carteira
e o pequeno monstro
no bolso esquerdo.