Amanhã vou arrumar a gaveta
e reencontrar a aliança que havia perdido
desde perto do final do século passado
Só amanhã
Amanhã vou me mudar de quarto
abrir o guarda-roupa fechado
retirar esta fantasia com odor de mofada
e sair por aí com a nudez que a vida me deu
Só amanhã
Amanhã vou visitar os que ainda estão
abraçar sentindo o pulsar das veias
o calor exalante dos corpos vivos
e dizer que os amo antes que seja tarde
Só amanhã
Só amanhã deixarei de adiar para o dia seguinte
o fazer tudo que no agora que posso fazer
e guardar no interior afetivo da memória
as lembranças e saudades que logo terei
só amanhã