Armindo Lima

Meu poeta

Despertas-me o corpo,
Incitas-me a alma,
Sensibilizas-me
Como jamais supus
Pudessem fazê-lo.

Tuas palavras,
Pensamentos versos,
Alforriam meus instintos,
Desatam-me a vontade,
Descobrem-me desejos,
Purgam medos,
Que tremo descobri-los.

Fluida torrente, incandescente,
Mana-me às entranhas,
Avivam-me pêlos e pele.

Fecho os olhos, vejo-te,
Afogueiam-me os braços,
Abraças-me.
Relaxo o corpo
Penetras-me
Sem saber
Se te quero ou não.
Comprimo-te, és meu cativo,
Sente-me,
Também sou tua.

Afagas-me
Com o som
Do teu canto,
Encantas-me.
Fundes-me
A epiderme
Com a forja
Dos teus sentimentos,
Molda meu corpo.

Inundas-me e afogas-me
Com tua torrente.
Faz-me serva ou rainha
Dos teus impérios,
Pouco me importo
Posseiro, por ora,
De mim.

Fitas-me, fartas-me
Arrebatas-me.
Se tiveres que mentir
Segreda-me
Tuas mais doces mentiras
Mas faz-me feliz
Como nunca me fiz,
Nesta fração única
Da minha existência,
Meu poeta ...