Francisco Queiroz

A Poética

Não escrevo buscando rimas,

embora adore lê-las nas alheias.

Primeiro entrego as lágrimas,

depois, lúcido, corto as veias.

 

Então fica assim, escrevo em:

descontagem de sílabas poéticas,

terceto sem rezas,

quadra sem lotes,

redondilha que não rola.

 

Não consigo sofrer o bastante para me enquadrar,

as lágrimas e as veias só as citei pelas rimas.

 

Ademais,

amo a vida,

amo a poesia,

amo quem sofre a dor maior do mundo

e faz disso um pote de ouro

no final de um arco-íris.

 

Falam tanto da necessidade de escrever...

Eu afirmo: ela existe.

Ainda bem que deixaram-me 

os versos livres.