Não escrevo buscando rimas,
embora adore lê-las nas alheias.
Primeiro entrego as lágrimas,
depois, lúcido, corto as veias.
Então fica assim, escrevo em:
descontagem de sílabas poéticas,
terceto sem rezas,
quadra sem lotes,
redondilha que não rola.
Não consigo sofrer o bastante para me enquadrar,
as lágrimas e as veias só as citei pelas rimas.
Ademais,
amo a vida,
amo a poesia,
amo quem sofre a dor maior do mundo
e faz disso um pote de ouro
no final de um arco-íris.
Falam tanto da necessidade de escrever...
Eu afirmo: ela existe.
Ainda bem que deixaram-me
os versos livres.