A vida passa num sopro leve e ligeiro,
Como a areia que escapa por entre os dedos.
Olho o reflexo turvo no vidro fosco e inteiro,
Onde os meus sonhos dançam em meio à solidão.
O tédio veste a casa com sua capa cinzenta,
E a angústia é um eco surdo que pulsa cá no peito.
São tantas as partidas que a alma se aquieta,
Buscando em cada ausência um vão pretexto.
Caminho por estradas onde a sombra é mais densa,
Deixando-me levar pela incerteza que me habita.
Há uma beleza triste na dor que é tão imensa,
Nessa busca incessante que no peito palpita.
A vida é uma estrada de sombras e de enganos,
Onde a ilusão nos guia por passos tão incertos,
Respiro a poesia que foge dos meus planos,
Pois mesmo na névoa, há horizontes abertos.
E quando a noite chega, vestida de mansidão,
Aceito a incerteza como a única verdade:
Rendo-me às dúvidas, ao tempo, à imensidão,
Encontrando na arte a minha liberdade.