Amor instintivo: Parte I
30/06/2022, Quinta-feira. Terminal
Vilas Oficina, Curitiba PR.
Estava a pensar em como o corpo e a mente estão relacionadas. Na hora lembrei-me daquela história, cujo sua origem não me recordo.
Uma mulher estendia suas roupas enquanto vigiava sua criança brincar na grama alta. Após um tempo ouviu o grito assutado da criança. Sua mãe correu e deparou com uma grande onça que avançava as pressas em cima de sua filha. A mulher correu desenfreada. Num salto heróico atracou-se com a onça, rolando no matagal. A gritaria chamara a atenção das pessoas ao redor, que vinham ver o que acontecia. Entre mordidas, gritos, a luta cessava. A mulher levantou-se e correu em direção a criança, preocupada. A adrenalina que a percorria a fazia ignorar todos os ferimentos do seu corpo, que fariam menção
Futuramente a uma luta ganha,
digna da palavra amor. A onça jazia morta no chão, com a traquéia deslocada.
E essa história até hoie ecoa em minha cabeça. Sua velocidade e força extraordinária, capaz de deslocar com selvageria uma traquéia. É espantoso. Mas é ainda mais curioso quando perguntamos o porquê. Por que o corpo não congelou de medo? Por que correu em direção ao perigo e saltou nele? De onde veio toda essa coragem e força?
O instinto, eis a resposta. Esse instinto está guardado dentro de nós. Gravada em itálico, semi-transparente, no verso de cada ação que fazemos. Uma hora o outra, o instinto brilha em negrito, em caixa alta. Esse comando, capaz de nós deixar letais, realça nosso reflexo, aguça nossos sentidos. As respostas corporais são rápidas, mas em contrapartida são as menos inteligentes, como por exemplo lutar com uma onça com as mãos nuas.
Amor isnstintivo: Parte II
Então lanço-lhe a hipótese que tudo que fazemos, absolutamente tudo, é por amor. Vivemos pelo amor, e morremos pela falta dele.
Escrevo isso rindo, parece bobo e infantil, mas vou mostrar como isso deve funcionar.
Somos capazes de aguentar
absurdos durante uma vida inteira, para perseguir os sonhos que amamos. Movemos montanhas diariamente pelas coisas que gostamos de fazer. Esforçar-se para encontrar com aquela pessoa que você gosta, é como preparar uma bomba-relógio de endorfina.
Há também relações indiretas com o amor. Talvez não goste tanto assim no que esteja trabalhando, mas tenho convicção que encontrará essa relação de amor no porquê de estar fazendo aquilo.
Para conseguir algo melhor, para sustentar sua familia...
Viver está diretamente ligado a amar. O contrário também acontece. A perda do amor nos torna triste, tira nosso brilho. Onde permanece a falta de amor, não há motivações. As ações são vagas e as motivações supérfluas. Não amar, é não ter sonhos, é não querer voltar pra casa. É não ter vontades, mas mesmo assim estar sempre com fome de algo que honestamente, desconhece. Nã amar é estar morto.
Amor instintivos: Parte III
E onde a história da mulher que matou a onça com as próprias mãos se entrelaça na minha rotina?
Bom, de maneira não literal, você está rotineiramente se atirando em onças, pelo mesmo motivo: por amor.
Como dito antes, os instintos estão gravados em nós, eles nos dão uma força sobrenatural (não gosto dessa palavra) mas nos tornam ignorantes. O amor obsessivo também nos mata. Se atirar dessa maneira e sonegar o racional, é beirar a um precipício que é a loucura.
E se um dia você não conseguir encontrar a traquéia da onça? E se um dia seus instintos te trair?
Tudo isso implica diretamente na perca do amor.
Agora vem a parte clichê desse texto. Se o amor fosse uma droga, uma bebida com alto teor. Estar sóbrio significaria estar morrendo
Significaria congelar vendo sua filha ser atacada e brutalmente arrastada selva adentro. Que tragédia é perder o amor.