Como esquecer um amor tão distante,
Que vivia nas cartas e sonhos tardios?
Meu coração, tímido, jovem errante,
Guardava segredos, chorava vazios.
Nas folhas brancas, palavras escritas,
Eram ecos de um sentimento sem fim.
Meu peito falava, mas os lábios calavam,
Um amor platônico, todo para mim.
Ela, tão longe, intocável estrela,
Brilhava em meus dias, mesmo sem vê-la.
Um sorriso ao vento, uma voz de novela,
E eu no silêncio, a apenas a pensar nela.
As cartas voavam, mas nunca voltavam,
Mensagens ao nada, gritos ao luar.
Em cada palavra, sonhos plantavam,
Mas só a distância vinha me abraçar.
Esquecer não é apagar a memória,
É fazer dela parte do que hoje sou.
Deixar que as cartas contem a história,
De um amor que no peito germinou.
A timidez foi espelho, a dor, professora,
Mostraram que amar é também aprender.
E mesmo que a estrela já não mais cintile,
Seu brilho ainda é força para eu crescer.
Hoje eu guardo essas cartas antigas,
Não como mágoa, mas como lição.
Amor platônico é amar sem medidas,
Mesmo que fique só na imaginação.