marchel

Depois do Verão

Ontem me peguei pensando nos arranha-céus da sua cidade de concreto. No vento gelado que cortava o rosto e no sol do verão que queimava a pele. Lembrei de como minha pele ganhou cor ali e de como meus lábios encontravam abrigo nos seus.

Mas o inverno chegou. E, com ele, a solidão entrou pela porta sem pedir licença. O abandono fez morada.

Nunca escolhi chorar na sua frente. Chorei porque não sabia mais como pedir para ficar. Implorei por amor como quem tenta salvar a última coisa que ainda restou. Hoje me pergunto: em que momento eu deixei de me escolher para escolher você?

Abandonei tanto por nós. Planos, paz, pedaços de mim. E, quando eu mais precisei de alguém, quando tudo ao meu redor desmoronou, você fez o que todos os outros já tinham feito: me mandou embora.

Hoje eu entendo que aquelas lágrimas não eram de amor. Eram de medo. Medo de perder alguém que fazia por você o que talvez ninguém mais faria. Porque quem ama não abandona alguém justamente quando ela mais precisa ser acolhida.