Eric

O vazio no Arquétipo de Orfeu

Com uma lira, eu tocava
Sob a égide da esperança, acreditava
Promessa de que recompensado seria
De todo o esforço desmedido
Para enfim, um dia abraçá-la 

 

Ao Tártaro, eu suportei
E para casa, retornava
Diante do tocar da luz, achara
Perto da pessoa que tanto acreditei

 

A demora, já não mais suportava
A ansiedade, já então me consumia
Olhei para trás, com agonia
Abandonado e aos prantos, estava

 

De que adiantava, monstros que derrotara
De que adiantava, medos que desbravara
Se a cada segundo que ela se afastara
A dor da solidão me agonizava 

 

Sem demonstrações de afeto e carinho
Sozinho com as minhas vozes
Sem chance de demonstrar provas
Com os ecos, já não me inconformava

 

Diferente é este arquétipo de Orfeu 
Este que pra todos os lados olhara
E ao lugar cheio de vazios contemplava
E então, o tudo é igual o nada