O lado mau que em mim reside, eu o exilo.
No espelho, no avesso do meu reflexo.
E o tranco lá, para que a sombra se acalme,
Para que o meu veneno não vos toque, não vos fira.
Assim protejo a vossa paz, a vossa crença,
Pois sei que a face da minha escuridão
Seria um peso que não querem sustentar.
Por isso, ali, todo o meu ruim se aloja.
Não serei nunca o que em mim esperam ver,
O molde exato, a forma que me impõem.
Eu serei eu, o que de dentro me mover,
Mesmo que o custo seja o peso, a dor que some.
Então, no avesso do vidro, o mal se esconde,
Mas quando me forço a ver quem devo ser,
No espelho alheio, a minha falha me responde:
Que sou a Má que eles t
emem sem saber.