O lado mau que em mim reside, eu o exilo. No espelho, no avesso do meu reflexo.
E o tranco lá, para que a sombra se acalme. Para que o meu veneno não vos toque, não vos fira.
Assim protejo a vossa paz, a vossa crença.Pois sei que a face da minha escuridão seria um peso que não querem sustentar. Por isso, ali, todo o meu ruim se aloja.
Não serei nunca o que em mim esperam ver. O molde exato, a forma que me impõem. Eu serei eu, o que de dentro me mover. Mesmo que o custo seja o peso, a dor que some. Então, no avesso do vidro, o mal se esconde. Mas quando me forço a ver quem devo ser. No espelho alheio, a minha falha me responde: Que sou a Má que eles temem sem saber.
( Isabel silvestris)